Louca sua miga

29 de jan de 2018

Dia 29 de janeiro

Imagem: Dan Prado

Escrito por Maya Quaresma
28 - Jan - 2018

São cinco e cinquenta da tarde do dia 28 de janeiro de 2018. Faltam dez para as seis. E faltam mais seis para meia noite. Segundo a minha certidão de nascimento, nasci às duas e quinze da manhã. Duas e quinze da manhã do dia 29 de janeiro de 1990. É. O tempo passa. O tempo passa sem avisar. Ele passa sem se preocupar se estaremos preparados ou não para o que tem pela frente, ele só sabe que passa. Ele não tá nem aí se eu tô preparada para chegar aos 30 daqui mais dois anos. Ele não quer saber se eu já consegui consolidar minha carreira. Não interessa para ele se eu já sei o que eu quero da vida. Ele só passa. Assim, num tic e tac interminável. Cruel.

Ele não se incomoda se estou preocupada com as rugas que virão. Com o corpo flácido que caminha caso eu pare a academia e perca o foco da dieta que tanto prezo em manter. E sinceramente, nem eu. Não me importo com o tempo, com o fato de eu já estar, daqui a algumas horas, com 28 anos, mesmo não tendo entendido direito desde os 21 como foi que cheguei até aqui numa velocidade questionável. Não me importo com números, não mais. Porque nesse meio período eu pude aprender muita coisa. Amadurecer muita coisa. Viver muita coisa. Sentir muita coisa. Essa mescla de sentimentos e momentos me moldou de tal forma que hoje, bem, o hoje é só um número a mais. O que importa é o que se vive, não a data presa no calendário. 

E nossa, eu fui feliz. Nesse período de 27 anos eu fui feliz. Não consegui ainda construir tudo o que eu imaginava que construiria quando chegasse nessa idade. Mas fiz coisas que nem ao menos poderia imaginar que faria, então, valeu. O bom é que nada me impede de ainda tentar. Como uma pessoa extremamente focada que sou quando quero algo, pode ter certeza que vou tentar. Ah vou! Ainda mais esse ano. Dei uma olhada na minha resolução solar e deu que este é o ano de virgem para mim no mapa. O que quer dizer que eu serei ainda mais focada e muito perfeccionista, mais do que sou pelo visto. Somado a mercúrio que se mantem resolutamente em capricornio, muitos trabalhos pela frente esperam por mim.

Claro que eu queria escrever um texto mais bonito. Todo piegas e fofo e romântico e reflexivo sobre o quanto é importante essa idade, e sobre amadurecimentos e sobre continuar falando sobre o tempo e traçar uma rota filosófica em cima disso mas... não é isso que quero escrever. Quero escrever o quanto esse período me fez sei lá... não me importar com um monte de coisa. Eu andava presa ao fato de tentar fazer de mim o que as pessoas queriam que eu fosse. A agir de uma forma que não era exatamente eu, mas alguém que queria muito ser querida, que não queria "fazer feio". E acho que foi nesse ponto que eu me perdi no meio dos anos e tudo passou num relâmpago e só agora eu pude de fato sentir isso. Porque só agora eu vivo por mim. Sinto por mim e vejo por mim e penso por mim e falo por mim e, consequentemente, escrevo por mim. De uma forma leve e libertadora. 

Imagem: Pexels

Se vão gostar? Não faço ideia. Me importo? Não mais. Aquele peso que plantava em minhas costas deu uma melhorada tão grande, e o fato de agora eu praticar boxe e se alguém me irrita visualizar a cara da pessoa naquele saco, também ajuda muito. Mas voltando, hoje eu não preciso sentir que tenho que vestir uma máscara para conquistar a aprovação das pessoas. Creio que isso é maturidade. É quando você começa a se preocupar com você mesma, com os seus sentimentos e com ser verdadeira com o seu próprio eu. Porque no meu ponto de vista, o mais importante dentre todas as coisas dentro de uma personalidade, é você ser fiel a você mesma.

E então, com quase 28 anos, eu sou fiel a mim e me amo sobremaneira. Me amo de uma forma que se eu pudesse, me beijava. Ok, nem tanto. Mas me amo de uma forma que me sinto livre. Sem a pressão e as amarras do que é não ter esse amor-próprio. Quando a gente vive para agradar chega a ser sufocante. E hoje eu adoro respirar. Adoro sentir que minhas narinas e meus pulmões estão em pleno funcionamento. Gosto de sentir que agora, eu consigo conquistar o mundo, sendo eu mesma. Porque agora as pessoas vão gostar de mim de fato. De mim, euzinha mesmo, a garota desengonçada que se bate em tudo que aparece pela frente. A menina nerd que dança funk nas aulas da academia. A garota que sonha em ser escritora mas às vezes acha que os livros vão se escrever sozinhos. Essa menina que é cheia dos defeitos porém com um coração transbordante de amor e gratidão, ela se sente feliz em saber que as pessoas vão se aproximar pelo que ela é. Esse tipo de liberdade não tem preço.

Se me perguntarem como foi que isso surgiu, eu não saberei responder. Não é de hoje. Mas não tão recente. Acho que foi aos poucos. Aquele monstro que cansou de ficar preso e resolveu se rebelar. Porém, sem ser um monstro mesmo. E eu sou grata por esse pseudomonstro que quis acordar. Porque assim eu consigo ser feliz. E ser grata. Grata pela vida que levo. Grata pelas pessoas que me cercam. Grata por este ano. O que passou. O que tá chegando. Falam que o ano só começa na data do nosso aniversário, então, feliz ano novo pra mim. E feliz para todos aqueles que quiserem deleitar dele comigo.

Um brinde. Ao incerto. Ao futuro. Aos 28. Ao dia 29. Um brinde. Gratidão. Amadurecimento. Um brinde, às não máscaras. À cara lavada. A não ter medo de mostrar quem se é. Um brinde ao amor. Ao próprio. Um brinde. Tin tin.


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28 de jan de 2018

Ano da colheita


Imagem: Leah Kelley

Texto por Ale Alves

Não sei pelo o que você tem passado, mas minha vida deu uma mudada brusca. Não sei se o retorno de saturno tem haver, se a crise dos 30 existe, mas algo nesse universo mexeu as engrenagens do meu mundo e me mudou de lugar. Talvez você esteja passando pela mesma coisa.

Deixei de acreditar que coisas ruins acontecem comigo, que tem alguém querendo tudo o que eu conquisto ou que a culpa de eu não conseguir tal trabalho é por conta do olho gordo de fulano que não fala comigo, mas curte todas as minhas publicações no instagram. Vamos descer um pouquinho do salto e pensar, sei lá, pelo menos por um segundo que talvez, não estou dando total certeza, mas que só talvez a culpa pelas coisas ruins que nos acontecem possa ser nossa? Já pensou que loucura?

Imagine que você não cumprimenta fulano porque estava com fone de ouvido ou de mal humor, esse fulano fica chateado ou só comenta com alguém que você nem deu bom dia, daí imagina que essa corrente se estende e a história muda e em algum momento quando você precisa de algum favor, aquela tua ação lá na parte de manhã chegou nessa pessoa com um outro sentido, daí ela diz que vai te ajudar, mas não te dá prioridade e você acaba atrasado com o que tinha que fazer. Tem noção do quanto isso pode ser real?

Esse mundo anda tão ingrato, que tal tentarmos fazer nossa parte? Imagina se teu sorriso, teu bom dia, tua mensagem dizendo que “está com saudade’ salva o dia de alguém. Olha que massa! Todos nós temos dias ruins, o que nos diferencia é como escolhemos passar por eles. Sabe? Um pouco de fé, não precisa ser em nenhuma divindade, pode ser só fé em você mesmo. Você é foda e nem percebe!

Sempre vai ter alguém para te diminuir, sempre vai ter alguma ingratidão, uma má vontade, uma decepção. A vida é cheia de pessoas que não tem a menor ideia do quanto são capazes de magoar outras pessoas com coisas simples, você com certeza é a decepção de alguém também, mesmo sem ter a mínima noção do que fez, em algum lugar, alguém esperava uma atitude sua que você não fez. Entende?

Seja leve, viva tudo que puder, não estou dizendo para deixar de lado suas vontades para agradar os outros, estou apenas dizendo que você pode ser feliz para caralho sem precisar pisar em ninguém de propósito. Todos nós podemos ser felizes sem ter que magoar ninguém para isso. O amor é bom entendedor e ele vive muito mais tempo quando nasce em meio a bondade.

Você vai reclamar do que plantou ou vai agradecer?


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Ale Alves - Fotógrafo, pai de gêmeas e um romântico terminal. Que a vida tenha pena desse canceriano nesse mundo cheio de gente fria.




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