Louca sua miga

17 de out de 2016

Eu amei te conhecer...


Escrito por Maya Quaresma
17 - Out - 2016 às 13:04h (horário de verão)

Poderia virar e dizer que você é um idiota. Um babaca completo. Que não foi sincero comigo desde o início. Que mesmo sabendo de todas as rachaduras e feridas que eu andei herdando da vida, você não se importou se eu iria chorar no dia seguinte. Que você não se importou se me magoaria. Eu poderia dizer que sua atitude foi imatura e infantil demais. Que você me tratou pior que lixo. Porque o lixo a gente ainda se preocupa em pegar e jogar fora. Você apenas me deixou em um canto até esperar feder. Poderia virar e te dizer tudo isso.

Mas eu não vou. Não vou porque a verdade é que quando eu te vi pela primeira vez você trouxe o sol para o meu mundo obscuro. Você trouxe luz para a minha escuridão. Porque quando eu te vi, choveu e amanheceu num mesmo instante. Quando eu te vi descobri que ainda tinha um coração que batia descontrolavelmente. Quando te vi agradeci a Deus por ter te criado, por ter te trazido pra mim e ter me dado a oportunidade de compartilhar teus sorrisos. E poder ter feito parte de uma boa parte deles.

Você iluminou meus dias. Foi estrela nas minhas noites. Brilhava e me trazia paz a cada boa noite seu. E eu podia ter o sono mais tranquilo porque sua presença era o que fazia tudo valer a pena. Eu estava viajando em um ônibus solitário, para destino algum, esperando ir nessa viagem apenas com a minha companhia. Então o ônibus parou, você subiu e de tantos lugares vagos sentou exatamente do meu lado sem nem ao menos pedir licença. E descobri que viajar acompanhado é muito melhor do que viver por aí sendo apenas um.

Foi você quem me fez viver de fato a completude. Por um instante eu descobri o que é transbordar em alguém. Transbordar por alguém. Você conheceu minha rotina. Fez parte dela. Conheceu minha família, algo que eu nunca tinha feito antes porque eu sempre tive a ideia de que minha casa é um ambiente sagrado e não é qualquer um que recebe o convite para entrar nela. Você foi o único que pode pisar dentro do meu lar e conhecer todos os meus segredos. Me conhecer por inteiro. Me conhecer por dentro. Me despi toda para te mostrar quem eu era de verdade. Com os meus defeitos. Com as minhas inseguranças. Com os meus medos. Com os meus anseios. Você conheceu uma parte minha que ouso em dizer que talvez ninguém nem tenha tido o privilégio de ainda conhecer.

E eu amei viver esses momentos contigo. Amei cada pedaço de tudo o que vivemos. Porque eu me senti inteira com você. Então sim, fomos felizes enquanto durou. Bem. Pelo menos eu sei que eu fui. Espero também ter te feito feliz, porque essa era a minha única missão. Te fazer feliz. Tentei. Não sei se fracassei. Mas a vida dá voltas, não é mesmo? Não sei o que há entre a gente ainda. Só sei que você chegou e mudou tudo em mim. Tudo. 

Tua companhia era alegria para a minha alma. Paz para o coração. E era exatamete assim que eu imaginava o amor. Manso, sereno, mas ao mesmo tempo arrebatador. Com aquela adrenalina e aquele medo de que um dia tudo isso poderia acabar. Às vezes quando estava com você sentia como se estivesse gradativamente caindo no precipício. E só teu beijo era capaz de me salvar. E eu me sentia salva a cada toque da minha pele com a tua. Me sentia protegida nos teus abraços apertados que agora farão parte apenas de uma doce lembrança.

Você virou para mim e disse que não tivemos nada. Que somos um nada. Triste escutar isso saindo da boca de alguém que para mim já era praticamente tudo. Como alguém pode ser nada quando essa mesma pessoa é tudo para a outra? Você me dilacerou por completo quando falou isso olhando nos meus olhos, sem se preocupar se eu sofreria. Sem se preocupar se eu choraria. Sem se preocupar se eu ficaria bem. Você soltou e sumiu, como se eu fosse exatamente isso, um simples nada. Depois de termos dito tantas coisas um para o outro no período de tempo em que estivemos juntos.

Não sei se eu fui burra. Se fui ingênua. Ou se eu acredito demais nas pessoas e procuro ver o mundo da melhor forma possível e esqueço que as pessoas sempre decepcionam. Que as pessoas são egoístas e só se preocupam com os seus sentimentos. Eu não sei. Só sei que não sinto raiva. Não sinto rancor. Não sinto nada. Nada de ruim. Porque não quero que essa frase de menos de um minuto estrague todas as lembranças boas que eu tenho da gente. Mesmo que essas lembranças fiquem apenas comigo. 

Não vai ser fácil te olhar. Na verdade, não é fácil não te olhar. Mas pior é te olhar e não te tocar. Mas eu sei também, por uma grande experiência, que toda dor uma hora chega ao fim. E que com o passar dos anos minhas dores costumam ser cada vez menores. Que o tempo que dói fica mais curto. Acho que quando a gente amadurece, o nosso amor próprio se torna maior do que o amor que a gente venha a ter por qualquer pessoa que procuramos ser feliz por nós mesmos, sem depositar nossa felicidade em ninguém. Eu sempre vaguei sozinha, não vai ser tão difícil voltar a viver assim. 

Que ela te faça feliz. Que valha a pena mudar o que tínhamos por conta de outra. O que eu quero é que você fique bem, com ou sem a minha presença.

Fomos felizes no instante do para sempre. Eu amei te conhecer.


*Inspirada na música do Tiago Iorc, Amei te ver. Para ouvir acesse aqui.
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7 de out de 2016

Os seus fantasmas não me assombram mais


Escrito por Maya Quaresma
01 - Jan - 2016 às 21:10h*

Os seus fantasmas não me assombram mais. Isso mesmo. Hoje eu consegui me libertar de você. Meu coração, antes completamente rachado, hoje encontra-se inteiro. Sabe quando falam que o tempo cura? Acredito nisso agora. Porque depois de muito tempo, depois de dias a fio chorando por quem não merecia uma lágrima sequer minha, semanas me preocupando com quem nunca iria voltar, meses sentindo falta de um ser que já nem lembrava da minha existência e fazia presenças em outros lugares, quando uma parte minha, uma parte que ficou a espera por um período tão extenuante, implorava mas só recebia ausências. 

Me rebaixei. Me humilhei. Fui desprezada. De uma forma que eu nem sei como pude compactuar com tal atitude. Você me virou as costas sem dó e sem qualquer pena, e eu ainda permaneci lá, feito trouxa que nunca aprende quando é hora de largar tudo e simplesmente recomeçar. Tem vezes que a gente precisa quebrar a cara uma quantidade suficiente pra poder aprender a enxergar. O problema foi que essa quantidade nunca me era suficiente. Você me quebrava, mas lá estava eu segundos depois te pedindo pra voltar, te pedindo pra ficar, te implorando pra nunca sair da minha vida quando você não dava a mínima para os meus sentimentos, para o que eu sentia, para nada. Você não dava a mínina pra mim. 

Coração é burro. A gente é burra. Eu fui burra. Só que o tempo cura. E a gente vai esquecendo. Vai amadurecendo. Vai se fazendo forte a cada queda. Sabe quando vamos para a academia e começamos um novo treino e aquele músculo que nunca foi trabalhado antes começa a doer mas depois de vários dias praticando o mesmo exercício ele já não dói mais? Pois foi assim comigo. No início doía. Muito. De uma forma que eu nem consigo dizer em palavras. Mas foi passando. As feridas foram se fechando. Se tornando cicatrizes. Até ficarem bem pequenas a ponto de já nem notar mais. E a dor? Ela foi embora. Foi embora bem depois de você mas foi embora. Que bom. Porque eu cansei de sofrer. Que idiota eu era querendo dor. Fala sério. Eu mereço muito mais que isso. Eu mereço uma felicidade a dois transbordante. Não mereço migalhas. Ninguém merece metades. Me fiz inteira porque quero inteiro. Me fiz completa para transbordar em alguém. Alguém que certamente não será você. 

E nem pensa em voltar. Jamais. Na minha vida você não entra. Nem que você queira. Nem que você implore. Nem que você chore. Eu já vi essa cena milhões de vezes e o final é sempre o mesmo. Pra quê eu vou querer assistir tudo de novo quando eu sei que no fim será só choro? Não, muito obrigada. Não quero mais você. Não quero mais aquelas fantasias e aqueles sonhos compartilhados que no fim das contas, só eu sonhava, enquanto você contava suas mesmas mentiras pra qualquer outra que quisesse acreditar. Uma pena que elas acreditam. Só espero que um dia, assim como eu, percebam que não vale à pena esperar por alguém que sequer existe. Porque você é uma mentira. Você é um fantasma, frio, gélido, invisível, e que não merece qualquer sentimento que a gente venha a sentir. 

Você não me assombra mais. Você não me tira o sono. Você não me faz acordar no meio da noite assustada porque sinto sua falta e ela me sufoca. Você não é capaz de mais nada em mim. Sou apenas indiferente. Sim. Os seus fantasmas não me assombram mais. Nunca mais.


*Texto publicado no antigo blog e republicado aqui. Porque recordar faz bem!
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