Louca sua miga

26 de ago de 2016

Você podia ter feito parte do meu presente


Escrito por Maya Quaresma
25 - ago - 2016  às 22:15h

Quanto tempo faz que a gente não se vê? Quase um ano, não é mesmo? Já faz um tempo que você volta pra cidade pra passar o ano novo com seu pai. Pensei que nem viria dessa vez. Que não nos esbarraríamos. Sei que este lugar é um ovo, mas nunca imaginei que ainda te veria outra vez. Pensei que aquele dia em que terminamos seria o último. E eu gostaria que tivesse sido, apesar de uma parte minha ter se partido por dentro por perceber que nós teríamos que viver separados a partir de então.

Sabe, você já fazia parte da minha rotina, que te tirar dela tão bruscamente doeu demais. Já li tantos livros nessa vida. Quase todos sobre o amor. Mas os escritores deveriam escrever livros sobre términos também. Ninguém nunca sabe como agir em uma situação dessas. Bem, eu não sabia, e duvido que alguém saiba. Mesmo sendo o Fábio Junior da vida. Não te ligar toda noite doeu. Não ouvir mais tua voz doeu. Não sentir tua risada doeu. Não olhar teus olhos doeu. Não poder mais imaginar viagens juntos doeu. Doeu saber que cada projeto que tínhamos iria ser escoado como água que se vai pelo ralo. Doeu cada dia sem você. Cada momento bom que eu queria compartilhar e já não podia mais porque não existia mais você. Não existia mais nós. Não existia nada. Apenas um silêncio. Sufocante. Agoniante.

Mas passou. E é maravilhoso poder dizer que o tempo realmente cura. Ele foi capaz de me curar. Capaz de me colar. Capaz de me fazer renascer. E a medida que o tempo ia passando, doía cada vez menos. Já não olhava tuas fotos com muita frequência. Já não dava um nó no peito a cada momento em que alguém pronunciava teu nome, mesmo não se referindo a você, mas a alguém com um igual. E foi passando. Passando. Até eu não sentir aquele incômodo. Até ser indiferente. Até passar na frente da sua casa, um caminho quase obrigatório da minha até o Shopping, e não segurar uma lágrima nos olhos. Esse senhor Tempo é incrível e eu devo muito a ele.

Consegui seguir meus projetos. Seguir minha vida. Me fechei no início, confesso. Tirei um tempo inteiramente pra mim. Pra saber o que eu queria e o que eu não queria. Como uma autodescoberta. Digo que foi a melhor escolha que tive. Porque eu descobri tanto de mim que nem eu mesma conhecia. Aprendi demais comigo mesma. Vislumbrei futuros que antes nem pensei que fosse capaz de imaginar. E tracei metas. Sonhos. Desafios. Meu caro, amadureci tanto que acho até difícil que você me reconheça. Não sou eu. Não aquele eu. E que bom por isso. É bom saber que você nem ao menos me conhece mais.

Descobri que a gente aceita o amor que acha que merece. E pensei, por quase uma vida, que eu merecia tão pouco. Talvez por isso te deixei entrar. Como eu era tola. Ninguém merece migalhas. Ninguém merece desprezo. Era isso que eu recebia de você. Depois que reconheci que sim, também era capaz de ser feliz a dois, verdadeiramente. Em forma transbordante, foi quando vi que eu na verdade nunca tinha me apaixonado. E que estar apaixonada é lindo. Sublime. É querer cantar com os pássaros e voar junto com eles. Dá pra acreditar? Alguém como eu escrevendo isso? Tô te dizendo que você não me conhece mais.

Desculpa. Você podia ter feito parte do meu presente. Podia ter sido você agora aqui do meu lado da cadeira, sorrindo e olhando o cardápio, lendo o que irá pedir para jantar. Podia ter sido você ainda pouco, estacionando o carro e segurando minha mão. Melhor, entrelaçando meus dedos nos seus enquanto caminhava para a nossa mesa. Podia até ter sido você o cara que eu vou dar um beijo de boa noite logo mais e dizer "eu te amo", frase que eu nunca sequer tinha dito para qualquer outro cara. Podia ter sido. Realmente poderia ter sido. Mas não. Não foi. Você não é ele. Você é só um cara sentado numa mesa um pouco distante da minha com seu pai, sua irmã e sua madrasta, se sentindo tão deslocado, porque a verdade é que esses restaurantes nunca combinaram com seu jeito meio rocknroll-não-sou-fino. Podia ter sido você. Mas você é apenas alguém que me olhou entrar e sentar, com outra pessoa. Alguém com quem eu cruzei os olhos e logo desviou. Alguém que tanto fez diferença por um momento da minha vida. Alguém com quem eu imaginava viver o resto dela. Alguém... que hoje não passa de um cara qualquer jantando num restaurante qualquer.

Você podia ter feito parte do meu presente. Mas hoje, não passa de apenas lembranças respingadas de um passado ao qual eu não quero nunca mais voltar.

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